Drª Ana Paula Tavares de Souza

Pediatra (RQE 19177) e Gastroenterologista Pediátrica (RQE 19178)
CRM: 52.82245-0

Hepatite A


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O que é Hepatite?

Hepatite é o termo genérico para designar inflamação hepática, a qual pode se apresentar como forma aguda ou crônica. Existem várias causas de hepatite, sendo as mais conhecidas as causadas por vírus (das hepatite A, B, C, D, E, F, G, citomegalovírus, Epstein Barr, etc), drogas (anti-inflamatórios, anti-convulsivantes, sulfas, derivados imidazólicos, hormônios tireoidianos, anti-concepcionais, etc), distúrbios metabólicos (doença de Wilson, hemossiderose, hemocromatose, etc) e pós-choque.

Hepatite A

A hepatite A tem como agente etiológico um picornavírus (RNA), que produz inflamação e necrose do fígado, cuja principal via de transmissão é a fecal-oral.

A infecção aguda pelo VHA é auto-limitada e não requer tratamento. Lembrar, sempre, de vacinar os contatos.

O questionamento a respeito do uso de drogas ou medicações potencialmente hepatotóxicas, uso de álcool, exposição a toxinas ambientais e a possibilidade de exposição prévia a agentes infecciosos deve fazer parte da primeira abordagem, possibilitando o direcionamento da investigação diagnóstica e a otimização do tempo.

O ser humano é o único hospedeiro natural do vírus da hepatite A. A infecção pelo vírus da hepatite A, produzindo ou não manifestações clínicas, determina imunidade permanente contra a doença. Dez dias depois de uma pessoa ser infectada, o vírus passa a ser eliminado nas fezes durante cerca de três semanas. O período de maior risco de transmissão é de uma a duas semanas antes do aparecimento das manifestações até no máximo 15 dias após início da ictericia.

Sintomas

A apresentação clínica das hepatites agudas varia pouco, independente da etiologia. As manifestações, quando surgem, podem ocorrer de 15 a 50 dias (30, em média) após o contato com o vírus da hepatite A (período de incubação). O início é súbito, em geral com febre baixa, fadiga, mal estar, perda do apetite, sensação de desconforto no abdome, náuseas e vômitos. Pode ocorrer diarreia, mais comum em crianças (60%) do que em adultos (20%). Após alguns dias, pode surgir icterícia (olhos amarelados) em cerca de 25% das crianças e 60% dos adultos. As fezes podem então ficar amarelo-esbranquiçadas (como massa de vidraceiro) e a urina de cor castanho-avermelhada.

Deve ser destacado que a maioria das hepatites virais cursa de forma anictérica, principalmente em crianças, fazendo com que muitos casos não sejam diagnosticados precocemente. Posteriormente o paciente entra no período de convalescença, no qual ocorre melhora clínica. Complicações de hepatite A incluem recidiva da hepatite com ou sem componente colestático e a hepatite fulminante.

As aminotransferases (ALT/TGP e AST/TGO) são marcadores sensíveis de lesão do parênquima hepático, porém não são específicas para nenhum tipo de hepatite. A elevação da ALT/TGP geralmente é maior que da AST/TGO e já é encontrada durante o período prodrômico. Níveis mais elevados de ALT/TGP quando presentes não guardam correlação direta com a gravidade da doença. As aminotransferases, na fase mais aguda da doença, podem elevar-se dez vezes acima do limite superior da normalidade. O diagnostico etiológico só e possível por meio de exames sorológicos e/ou de biologia molecular. Quanto mais grave a lesão, maior será o tempo e menor será a atividade da protrombina , sinal importante de gravidade do caso.

Diagnóstico

A confirmação do diagnóstico de hepatite A não tem importância para tratamento da pessoa doente. No entanto, é fundamental para a diferenciação com outros tipos de hepatite e para a adoção de medidas que reduzam o risco de transmissão entre os contactantes. É importante ainda que seja feita a notificação do caso ao Centro Municipal de Saúde mais próximo. A confirmação é feita através de exames sorológicos. O método mais utilizado é o ELISA, com pesquisa de anticorpos IgM contra o vírus da hepatite A no sangue, que indicam infecção recente. Esses anticorpos geralmente podem ser detectados a partir do quinto dia do início das manifestações.

Hepatite Aguda pelo Vírus A

Tratamento

Deve-se focar o tratamento dos sintomas. A impressão subjetiva do paciente deve nortear a conduta médica. Não são necessários internação hospitalar, quarentena, repouso no leito, medicações, restrições dietéticas ou transfusões sanguíneas. O tratamento deve ser conservador e de suporte. Não há medicação específica para a infecção pelo VHA.

Deve ser indicada internação, com isolamento entérico, apenas nos casos com gravidade que incluem: vômitos repetidos, febre prolongada, hálito hepático, hemorragias espontâneas e sinais de encefalopatia hepática (sonolência e/ou agitação psicomotora, asterixis – “flapping”, torpor e coma), alargamento no tempo de protrombina (TP) ou tempo de atividade de protrombina – ( TP > 4 segundos em relação ao controle ou INR > 1.5) que não responde ao uso de vitamina K por via parenteral. A criança que terá boa evolução, estará assintomática ao se iniciar a icterícia.

Prognóstico

O prognóstico é muito bom e a evolução resulta em recuperação completa de quase todos os casos. No curso de hepatites virais agudas, o uso de medicações sintomáticas para vômitos e febre deve ser realizado quando pertinente. Como norma geral, recomenda-se repouso relativo até a normalização das aminotransferases, liberando-se progressivamente o paciente para atividades físicas. Dieta pobre em gordura e rica em carboidratos não é útil para a boa evolução e é de uso popular. De forma prática, deve ser recomendado que o próprio paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite e aceitação alimentar. A única restrição esta relacionada à ingestão de álcool, que deve ser suspensa por seis meses. As drogas consideradas “hepatoprotetoras”, associadas ou não a complexos vitamínicos, não tem nenhum valor terapêutico. A administração de vitamina K durante um a três dias pode ser recomendada nos casos de queda da atividade de protrombina. A administração de corticosteroide é totalmente contraindicada.

Prevenção

O saneamento e o fornecimento de água adequados são os principais objetivos para a prevenção da infecção pelo VHA

A imunização contra a hepatite A e realizada a partir de 12 meses de idade, em duas doses, com intervalo de 6 (seis) meses entre elas. Não ha no momento a disponibilização dessa vacina no calendário básico de vacinação. Atenção para as crianças maiores e adolescentes que não foram vacinados. A hepatite fulminante é rara mas só é resolvida com transplante Hepático, nem sempre possível.

Referências: 1) Hepatites virais : o Brasil está atento/ Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 3. ed. – Brasília - 2008.2) Revista do Hospital Universitario Pedro Ernesto, UERJ - Ano 5, Janeiro / Junho de 2006.


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